É HOJE QUE EU ME ACABO (PARTE 3)
Meu nervosismo tinha passado por completo...
Não tinha muita mulher lá não. Lá é equilibrado o número de lésbicas e de garotas q não parecem ser lésbicas. Eu e a Lú* fazemos parte desse time. Eu tava com receio de q ninguém desse em cima de mim pq sou muito feminina, e a Lú tava na mesma situação ((vc devia ter visto a make-up dela, q coisa linda!)).
Por volta da 01 da madruga, a casa começou a encher. E nada! Nada de nenhuma lésbica ou bi dar em cima da gente! Pelo contrário: elas nos olhavam desconfiadas, e se perguntavam “será q elas são?”. Achei q vestida daquele jeito eu ia arrumar alguma coisa, mas só tava afastando as possibilidades pq nenhuma daquelas meninas q eu já tenha visto — lá ou em outros lugares GLS — se veste do jeito q me vesti. Elas não pintam as unhas nem usam acessórios, nem pulseiras ou colares, nem salto agulha! Pelo amor de Deus, cadê as lésbicas femininas de Maceió??? Ainda assim, acreditei q até o final da madrugada eu encontraria alguém.
Tá, eu encontrei. Eram duas garotas lindas, femininas feito a Lú e eu. Só q elas eram tããão femininas q eu temi chegar perto, e fiz a mesma pergunta q as outras garota faziam entre si: “será q elas são?”.
Atravessamos a pista e fomos dançar mais no escuro. Em momento algum eu e ela nos demos as mãos ou nos beijamos ((claro, nós somos amigas e fomos lá pra caçar!)), mas mesmo assim, do nada, apareceu alguém q finalmente fez a pergunta:
— Licença... Desculpe perguntar, mas vcs duas são namoradas?
— Não! Se a gente fosse namorada eu já tava beijando ela há tempos, não é verdade?
— Ufa! Ainda bem ((levantando as mãos pro céu))!!!
Eu olhei pra Lú e ri.
— E vcs são o quê? São...
— Eu não sou! ((respondi, mentindo...))
— Eu sou! ((respondeu q Lú ao mesmo tempo q eu))
Confusa, a Luciana me olhou como se dissesse “pq vc não disse?”. E o cara continuou falando, olhando na minha direção:
— Graças à Deus. É pq eu tô afim de vc!
Sim, ele era um cara! Muito bonito por sinal e bem-humorado, coisa q aprecio muito. Falei meu nome pra ele, mas menti dizendo q fazia Engenharia Civil. Eu sempre faço isso qdo quero dispensar alguém: geralmente digo q meu nome é Ana, falo tudo ao contrário sobre mim e nunca dou telefone. Depois, se eu vejo q a pessoa é bacana, eu falo a verdade na bucha. Nunca ninguém reclamou.
Soube pouca coisa sobre ele. Vou chamá-lo de Robson*. Ele tem um filho, é separado e mora na Jatiúca. Eu não quis saber muita coisa pq eu tava desconfiada... Vc lembra q eu falei no meu blog anterior q eu nunca na minha vida quero ficar com um cara bi? Pois é, eu tava com receio de q ele fosse bi, e q me viu e... Era só o q me faltava! Eu ia pagar com a língua!!! Eu confesso q logo de início eu tive atração por ele, mas e se ele fosse bi, ou mesmo gay??? Eu olhava pra Lú aflita e cochichava no ouvido dela:
— Cara, eu vou pagar com a língua! Ele é uma gracinha!!!
— Ele é o maior gatinho! Mas desconfie desses caras q circulam por aí...
E a gente olhava em volta e via cada cara másculo! E quem garante q eles não são gays? E quem ia me garantir q o Robson não é gay???
(*nome fictício)
Escrito por GarotaBi às 13h44
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